São já duas noites sem dormir, farras em meio a mulheres, bebidas e cigarros, o som dentro da cabeça são os gritos dessas horas insones e a música de fundo é uma híbrida de todas as músicas. Finalmente vai para sua casa, sua cama, seu cachorro magro e sua água mineral sem gás. Anda a passos caídos, a braguilha aberta, a derradeira garrafa na mão direita enquanto a esquerda busca paredes onde evitar a queda iminente.
O sol se avizinha, e a claridade que começa a despertar faz com que ele veja uma menina loira que, encostada na parede cerca de 10 metros à frente de onde sua mão agora se apóia, ajeita o short curtíssimo enquanto despede-se do homem que atira para ela duas notas de dez reais.
O bêbado reconhece naqueles cabelos sujos alguns fios de ouro, naqueles olhos tristes dois botões de flores azuis. Põe os últimos vinte reais na mão da garota e pede a ela que o leve até em casa, dê-lhe um banho e o sirva um copo d’água antes de o pôr para dormir. Pede que seja sua irmã por duas horas, e a menina que há duas décadas o inspirara a pedir uma irmã aos pais, vinte anos depois, vinte reais depois, põe o braço do menino em seu pescoço e o carrega.
18 Setembro 2008
O bêbado e a irmã
Delírio de
Alexandre Haubrich
às
12:50 AM
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