27 Novembro 2008

Luz

Essa semana alguns postes da Cidade Baixa, em Porto Alegre, apareceram assim.


Quando fui bater as fotos, alguns cartazes já haviam sido retirados.


AI-5* 1968 - 2008
Nossa memória não esquece
Isso ainda acontece



A revolução também passa por pequenos atos civilizatórios, como esse. Muda-se o mundo mudando a cabeça das pessoas, e um bom começo é obrigá-las a pensar. Esses cartazes, arremessados contra a cara desprevenida de andantes apressados, cegos e desumanizados, abre um pequeno rastro de luz entre as pálpebras.

Não há como não reparar nos postes, não há como não parar nas esquinas e dar uma espiada, não há como não comentar ao chegar no trabalho, na escola, na faculdade, no bar. Semeando a psicose, semeando a loucura sã, inteligente, reflexiva. Semeando o pensamento.

25 Novembro 2008

Ficção e realidade

A escrita ficcional sempre é fruto de experiências pessoais. Mesmo que o escritor tire suas histórias de relatos de terceiros, de pensamentos, de sensações, da imaginação ou do ar, essas também são experiências pessoais. Além disso, a primeira palavra de qualquer escrito, no momento exato em que passa de qualquer dessas situações ao papel, é uma experiência pessoal. As palavras seguintes decorrem desse mesmo tipo de criação e de cada uma das palavras anteriores, de modo que a cada letra desenhada a experiência de realidade está mais presente, mais dominadora do que se diz ficção, mas não é nunca tão ficcional assim.

17 Novembro 2008

Feira do Livro de Porto Alegre - 2008


Esse post AQUI continua valendo. Nada mudou em um ano e parece que não vai mudar tão cedo.

Mesmo assim, foi mais um ano em que voltei da Feira do Livro de Porto Alegre com um bom acréscimo na minha estante. Dessa vez me atirando nos saldos, e contando com alguns presentinhos, foram 11 livros a mais e algumas horas bem divertidas por lá.
Bonequinha de Luxo - Truman Capote
O Anarquismo - Luiz Pilla Vares
A Eternidade e o Desejo - Inês Pedrosa
A Viagem do Elefante - José Saramago
A vulnerabilidade dos partidos políticos e a crise da democracia na América Latina - Marcello Baquero
Olga - Fernando Morais
Trilogia suja de Havana - Pedro Juan Gutiérrez
O Golpe - John Updike
Olhos Azuis Cabelos Pretos - Marguerite Duras
As Boas Coisas da Vida - Rubem Braga
Contos Reunidos - Machado de Assis
De quebra, ainda ganhei um concurso de contos da Band News, ligado à Feira. Saldo mais do que bom.
Até o ano que vem.

15 Novembro 2008

O sono da natureza

"Era uma da madrugada - hora em que geralmente a natureza está imersa no mais profundo e mais doce sono pré-matinal. Mas dessa vez a natureza não dormia e não se podia dizer que a noite era tranqüila. Gritavam codornas, perdizes, rouxinóis, chiavam grilos e cigarrinhas. Por sobre a erva pairava uma névoa leve, e no céu, ao largo da lua, nuvens corriam apressadas não se sabe para onde, sem olhar para trás. Não dormia a natureza, como se temesse perder dormindo os melhores momentos da sua vida."

Anton Tchekhov, Um homem extraordinário e outras histórias - Pavores

11 Novembro 2008

Carta Capital é a segunda mais vendida em banca do Menino Deus

Conversando com o dono de uma banca de revistas, na esquina das ruas Ganzo e Getúlio Vargas, em Porto Alegre, ouvi uma novidade interessante, importante e imprevisível: a Carta Capital é, ao menos em sua banca, a segunda revista semanal que mais tem saída, perdendo apenas para a Veja. Em pouco tempo, passou a isto É e a Época, conta-me ele. Isso em um bairro de classe média e classe média alta, o Menino Deus, um bairro pouco politizado.
E aí:
a) Os leitores tradicionais de Veja começaram a encher o saco e migrar para a Carta Capital
b) Os leitores de Época e Isto É pararam de comprar revistas
c) Os leitores de Época e Isto É resolveram tentar outra revista, por algum motivo desconhecido
d) Tem mais gente lendo e buscando informar-se com qualidade, e acabou aquela história do Tim Maia, agora pobre brasileiro é de esquerda
e) A classe média está migrando para a esquerda
f) A classe média parou de comprar revistas
g) Outra opção (qual?)

09 Novembro 2008

Internet

"É um paradoxo que alimenta o otimismo: a internet nasceu a serviço da morte, para programar as operações do Pentágono em escala mundial, e agora serve, entre outras coisas, para difundir vozes alternativas que antes tocavam sinos de pau."

Eduardo Galeano, em entrevista a Zero Hora

06 Novembro 2008

Uma falha na calçada

E o salto alto mirou o alto, e o nariz pra cima beijou o chão.