Pois, depois de quase 4 anos, o Delírio Eterno migra para o wordpress.
O novo endereço, gravem aí, é www.delirioeterno.wordpress.com .
Apareçam!
E obrigado aos leitores e ao blogspot, que me acompanharam nesse tempo todo.
04 Março 2009
Me mudei
Delírio de
Alexandre Haubrich
às
7:05 PM
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03 Março 2009
Direto da faxina
Faxinas às vezes cospem na gente objetos que não sabemos como foram parar ali. Como um monstro do armário ou um vampiro atrás da cortina, aparecem brincos, colares, sei lá mais o quê. De alguma dimensão que ainda não podemos compreender – talvez a mesma para onde vão os guarda-chuvas supostamente esquecidos –, esses pedaços de imaginação desembarcam em nossos quartos ou salas. Ou tentam me convencer de minha loucura – da qual já estou perfeitamente convencido – ou seu objetivo é me aguçar ainda mais minha insanidade.
Pois na minha faxina de ontem me apareceu uma pequena pérola verde, bem pequena mesmo, com um furo no meio. Talvez um pedaço de brinco, talvez um pedaço de colar, talvez um pedaço de saudade de alguém que nem sei.
De que orelha mordida ou de que pescoço roído caiu esse pequeno verde delicado? Foi arrancado com dedos desatinados ou dentes desbaratados em desespero doido doído ou demente?
Agora entre os meus dedos algum pedaço de alguma ela, um leve sorriso sorri divertido em meus lábios, talvez culpados com cara de inocente no caso da pérola verde com um furinho no meio. O pedaço de brinco ou colar agora se esparrama cansado aqui ao lado do computador, calada. Não denuncia sua dona, não chora sua ausência, está muito bem aqui sem ela, seja lá quem ela for. Sorri de canto e me pisca um olho numa cumplicidade de quem também ficou por aqui, de canto, meio esquecida, meio presente, mesmo na ausência.
Lixo.
Delírio de
Alexandre Haubrich
às
9:20 PM
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01 Março 2009
E se estás triste?
Se hoje me perguntares o que fazer quando estás triste, responderei melhor do que ontem, quando respondi melhor do que antes.
Vai, pergunta, quero tentar falar, quero tentar te ajudar e me ajudar, quero tentar responder:
Pra começar, não faça nada além do fazer mais essencial: o pensar. Pense em tudo ao mesmo tempo e em nada em tempo nenhum.
Pense tudo embaralhado, um turbilhão de pensares que causará um turbilhão de sentires. Sintas tudo e nada enquanto tua cabeça gira, roda. Pense mal de ti e dos outros. Pense que és fraca, tola e má, exagerada até. Pense que os outros são piores. Eles são, garanto. Devagar, as ideias começarão a tomar seus lugares, o caos é, por natureza, uma forma de organização. Sabes o que pensas. Apague, então, as convenções, as ideias pré-estabelecidas, o que já aconteceu. Apague, apenas por poucos instantes, os momentos bons e os momentos ruins. Lembranças felizes trarão a pior inveja, a inveja de alguém que não pode ser
igualado, a inveja do passado. Lembranças tristes trarão mais tristeza, o que também não pode ajudar. Coloque-as de lado. Já não servem mais. Não agora. Servirão depois, talvez, muito depois, quando já puderes rir sinceramente disso tudo.
Renove a cabeça, não se apegue a absolutamente nenhuma ideia, conceito ou palavra, nem a essas que agora lês. Não se apegue a sentimentos antigos, a vivências antigas, só causarão mais dor, mesmo que não percebas isso agora.
Esqueças o que tens de bom. Nada do que tens vai resolver. Esqueça também o que tens de ruim, limpe a cabeça. Não pense em mais nada. Nada do que pensares trará soluções. Então sinta. Sinta o futuro. Sinta, inclusive, teu próprio pensamento no futuro. Verás como estás certa e errada em achar que serás assim semre. Nesse futuro perceberás como essa ideia esteve certa, mas não está mais.
Sinta o que vais fazer. Não a partir de agora, não trace caminhos. O que vais fazer amanhã? Com quem vais estar? Como será teu olhar? Por onde vais andar carregando tua doçura? Quem brindarás com tua beleza completa e sem fim, com teus sorrisos ou tuas lágrimas, ou os dois juntos, e daí? Brinda a ti com isso tudo! Olha-te ao espelho. Mira teus olhos até notares e entenderes a profundidade escondida atrás deles, e notares e entenderes a profundidade que eles próprios contêm e emanam a quem observam lívidos. As lágrimas que escorrem lentas por teu rosto delicado rabiscam frases de uma beleza tua que (quase) ninguém pode ver. Olha bem essas frases, absorve-as com carinho, carinho por um pedaço de ti que fica em silêncio, sussurrando ao teu ouvido a suavidade que estás esquecendo que carregas.
Se tudo isso falhar, imagina. Imagina que estás rodando um bambolê em tua cintura-imã-de-carinhos. Imaginas que comes um brigadeiro feito pela avó mais querida, que corres fugindo de quem é a vez de pegar, imagina que te escondes ansiosa por ser descoberta e então correr. Que pulas corda, que olhas bem fundo nos olhos de uma criança, que tomas sorvete e um pingo escorre despercebido pelo lado da tua boca enquanto tuas amigas riem de ti e tu ri junto da tua distração, da tua forma de ser criança e pular e rolar na areia e jogar vôlei suada e lutar judô derrubada no chão e brincar de bonecas e ver desenho animado numa manhã de segunda-feira.
Te imagina sonhando com danças inocentes, com sorrisos ainda mais inocentes, com risadas idiotas, com a Sessão da Tarde comendo pipoca. Com o passeio no parque, com o teatro infantil. Lembra da bebedeira com as amigas, da piscina, do mar, das ondas que te gelam, dos teus óculos escuros criminosos que escondem teus olhos e, mais, teu olhar.
Imagina que beijo de leve os teus cílios, que desço a mão devagar por tuas costas, que afago tua testa enquanto relaxas na escuridão absoluta do silêncio. Que passo meus dedos nos teus em uma dança de mãos, um bolero infindável de calma e paz, que começas a rir louca-desvairada de nada, que pegas carona apertada de repente, que dormes e sonhas de novo com tudo.
Se tudo isso falhar, deita no meu colo que te faço cafuné recitando silêncios ou cantigas de ninar. Então teu sorriso será completo e tua tristeza adormecerá num piscar.
Delírio de
Alexandre Haubrich
às
9:40 PM
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Março
São as águas de março fechando o verão.
Delírio de
Alexandre Haubrich
às
9:39 PM
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